Em
sua terceira edição, encontro discute
os caminhos do setor de distribuição.
O 3º Encontro Brasileiro das Empresas de Distribuição
de Produtos Químicos e Petroquímicos
(Ebdquim 2006), que acontece entre 15 e 19 de março
de 2006 em Porto de Galinhas, em Pernambuco, terá
como tema “Distribuição de Produtos
Químicos e Petroquímicos - Tempo para
Reavaliações”.
Promovido
pela Associquim/Sincoquim (Associação
Brasileira dos Distribuidores de Produtos Químicos
e Petroquímicos/Sindicato do Comércio
Atacadista de Produtos Químicos e Petroquímicos
no Estado de São Paulo), o evento vai reunir
representantes do setor, que terão a oportunidade
de partilhar experiências nacionais e internacionais
com palestrantes que abordarão variados assuntos
relativos ao setor.
Nesta
entrevista, o presidente da Associquim/Sincoquim,
Rubens Medrano (foto), adianta um pouco do conteúdo
a ser discutido, como experiências já
implementadas em outros países e que podem
ser trazidas para o Brasil, além de lembrar
temas já abordados nos eventos anteriores,
mostrando os progressos e reavaliações.
Para
Medrano, o Ebdquim trará um rol de palestrantes
que ajudarão o desenvolvimento do setor no
Brasil com as suas experiências e seus conhecimentos.
“A função da Associquim não
é coercitiva, ela induz cada empresário
a tomar a decisão que melhor lhe cabe. E, para
tanto, é preciso ter conhecimento dos problemas,
acertos e soluções, o que permite errar
o menos possível. É necessário
que o empresário de distribuição
se dispa de alguns dogmas do passado e venha a adotar
os novos paradigmas, estando aberto para o que está
acontecendo no mundo e sabendo para onde nós
temos que caminhar para evitarmos os erros do passado,
que levaram ao desaparecimento de muitas empresas.”
Latin
Chemical - Quais as principais novidades no 3º
Ebdquim?
Rubens
Medrano
- Em primeiro lugar, devemos destacar a consolidação
do Ebdquim. Nós fizemos o primeiro com uma
série de preocupações, fomos
para o segundo e vamos realizar agora o terceiro.
Esse é um ponto muito positivo, porque ele
se firma como um evento da distribuição,
consolidando todo aquele trabalho que vem sendo feito
em termos de Prodir (Programa de Distribuição
Responsável), com a nossa interação
junto a entidades internacionais. Continuamos com
aquele foco principal do primeiro Ebdquim, que é
a interação entre a distribuição
e toda a cadeia produtiva. Alguns temas já
foram abordados antes, mas nós os retomamos,
mostrando o que evoluiu nesse período. E, também,
retomamos essa conscientização, essa
abertura de diálogo entre os produtores e nós,
distribuidores, além de uma abordagem sobre
como podemos melhorar a nossa produtividade.
Latin
Chemical - Esse encontro também servirá
para reavaliações?
Medrano
- Isso é muito importante. O setor de distribuição,
num período de cinco anos, fez investimentos
muito fortes em instalações, em programas
de gestão e qualidade e até em pessoal.
Eu comparo essa situação com um avião,
que precisa de todas as forças dos motores
para sua subida e, depois, tem que planar um pouquinho
para retomar suas forças e seguir viagem. Esse
é o ponto da distribuição, neste
momento nós temos que começar a focar
muito mais o coletivo do que o individual. Acho que
chegou a hora de o setor ter muitas bandeiras.
Latin
Chemical - O que será discutido em torno dos
trabalhadores do setor?
Medrano
- Uma questão que não foi focada pelo
Prodir, que é a da atuação do
trabalhador dentro da empresa, dos cuidados que se
deve tomar e da assistência para com o mesmo
nos casos de alcoolismo, drogas e coisas do tipo.
Assuntos bastante delicados, que nós temos
de abordar de uma forma bem profissional e responsável.
A direção da Dupont Performance Coatings,
empresa consumidora, concordou em estar presente e
levará a sua experiência na questão
de segurança do trabalhador, de novas técnicas,
de novos cuidados, porque ela é a fornecedora
da indústria automobilística, que tem
sido uma das grandes precursoras em cuidados com o
meio ambiente.
Latin
Chemical - A avaliação de riscos também
é outro tema?
Medrano
- Exato. Nós vamos discutir a mensuração
do setor com respeito a crédito. Devido à
retração de margens, é muito
importante que o setor também se conscientize
da avaliação dos seus riscos, porque
isso pode criar uma situação - se houver
uma inadimplência muito forte e com as margens
com que atuamos - que pode prejudicar o setor.
Latin
Chemical - Existe uma estimativa da inadimplência,
hoje?
Medrano
-
A inadimplência está dentro de níveis
toleráveis. Mas, pelo menos o que tem sido
uma constante na minha administração,
é não esperar uma coisa acontecer para
somente depois tomar providências. Estamos sempre
procurando estar adiante, trazendo aos nossos associados
aquilo que antevemos como sendo os futuros problemas
ou futuros assuntos que teremos que abordar. Esse
assunto de avaliação de riscos é
muito importante, não só para o setor
de distribuição em si, mas para os fornecedores
da distribuição. No passado, nós
tivemos problemas desse tipo com a distribuição.
E ele não se resume a uma empresa, acaba afetando
muito o setor, que depende da credibilidade, da confiabilidade.
Temos que ter um setor não somente equipado,
que esteja perfeitamente apto a prestar um serviço,
mas que demonstre aos seus fornecedores que é
sólido e que oferece uma tranquilidade aos
mesmos em termos de crédito.
Latin
Chemical - Como está o Prodir?
Medrano
-
Está surpreendente. Eu não esperava
realmente a receptividade que estamos tendo. A Associquim
recebeu 11 novos associados em 2005 e tudo por causa
do Prodir, que hoje está consolidado. Fizemos
em novembro um workshop sobre a Associquim/Abiquim
(Associação Brasileira da Indústria
Química) para mostrar os resultados do grupo
de trabalho que foi formado entre as duas entidades
para podermos trabalhar em harmonia nos programas
de Atuação Responsável e de Distribuição
Responsável, evitando duplicidade de esforços
e de gastos, visando o interesse coletivo. Tivemos
também grande receptividade por parte dos órgãos
ambientais. Temos sido convidados para participar
de grupos de trabalho, dar nossas opiniões.
Todos já se conscientizaram da importância
do Prodir. Os distribuidores estão vendo que
ele veio para fazer uma série de melhorias.
A
mentalidade do empresário de distribuição
mudou, fazendo com que ele deixasse seus dogmas como
dono de empresa para pensar um pouco mais como acionista.
Latin
Chemical - A Associquim sempre teve relacionamento
muito estreito com outras associações
internacionais. Como está esse relacionamento?
Medrano
-
Essa foi uma das nossas primeiras metas com as entidades
congêneres, não só no âmbito
nacional como internacional. Começamos no âmbito
nacional, onde temos relacionamentos excelentes, temos
um grau de confiabilidade, de abertura e de diálogo
com todas as entidades que fazem parte da cadeia produtiva.
Quanto às entidades internacionais, nós
somos membros da ICCTA (International Council of Chemical
Trade Associations) e isso nos abriu as portas para
uma série de conhecimentos, de troca de informações
com outras entidades mundiais. Hoje, o Brasil está
perfeitamente capacitado e o nosso setor de distribuição
está no mesmo nível do de outros países.
Em termos de conhecimento, o mundo hoje está
globalizado, as informações estão
disponíveis em tempo real e todos os nossos
conhecimentos, mesmo sobre problemas que ainda hoje
não nos atingem, mas que poderão futuramente
nos atingir, nós trazemos junto com as soluções
e procuramos divulgar para os nossos associados. Esse
relacionamento é muito importante e nesse Ebdquim
uma das grandes metas será integrar também
a América Latina. Na região, não
são todos os países que têm entidades
e nós vamos procurar fomentar a divulgação
do Prodir e a formação dessas entidades,
a fim de que possamos discutir os problemas comuns.
Hoje, o mundo se divide em blocos. Apesar de a América
Latina e o Mercosul terem algumas dificuldades, terem
diferenças, num futuro bem curto a região
atingirá seus objetivos. E nós não
poderíamos nos omitir e ficar numa situação
de espectador. Temos que participar, dialogar, e é
isso que faz da Associquim uma entidade líder,
com a sua experiência de 45 anos.
Latin
Chemical - O Brasil é um grande país,
com uma dificuldade de infra-estrutura do mesmo tamanho.
Na sua opinião, o que pode ser feito para melhorar
essa infra-estrutura?
Medrano
-
O problema da infra-estrutura cabe ao Estado, mas
infelizmente ele tem hoje as suas despesas de custeio,
que não permitem o pagamento dos juros e investimentos.
Criaram as famosas PPPs (Parcerias Público
Privadas) e o que nós precisamos é regulamentar
onde a iniciativa privada pode investir. Mas para
investir tem que haver garantias, regras definidas.
Hoje, o nosso sistema portuário é arcaico,
principalmente o Porto de Santos. Infelizmente o Brasil,
na década de 1950, deu preferência ao
transporte rodoviário, em detrimento do transporte
ferroviário. E um país com dimensões
continentais como o Brasil não pode se descuidar
do transporte ferroviário e também do
transporte fluvial de cabotagem. O caminhão
deveria ser usado para pequenas distâncias.
Esse é um trabalho que nós temos que
recuperar e que esperamos que o novo governo se preocupe
bastante na adequação das suas despesas
de custeio, no âmbito dos poderes Executivo,
Legislativo e Judiciário, a fim de que possa
destinar recursos para a infra-estrutura sem aumentar
a carga tributária, que já atingiu seu
limite máximo.
Latin
Chemical - Como o senhor analisa as questões
da desoneração e da queda dos juros?
Medrano
-
Eu creio que as nossas autoridades econômicas
e o Banco Central cometeram uma falta de diálogo.
Enquanto nós víamos o Ministério
da Fazenda tentando gerar superávits fiscais,
por outro lado vimos a política do Banco Central
aumentando os juros. Então, a situação
é que se economizava numa torneira de três
quartos e se tinha juros em outra torneira de uma
polegada. Esse dinheiro não vem da produção,
é um dinheiro que infelizmente vai para o setor
financeiro, que já está estruturado,
um setor que não gera empregos, ao contrário
do setor industrial e do comercial. Isso é
um esforço de Hércules, um aumento de
impostos, PIS e Cofins na importação.
Isso tudo não é suficiente para pagar
o serviço da dívida. O dinheiro sai
de entidades produtivas para fins improdutivos. A
redução de juros tem que haver, nós
não temos uma inflação de demanda.
A situação só vai se resolver
se continuarmos gerando superávits fiscais,
mas não à custa de aumento de impostos
e sim pela racionalização dos custos
do governo.
Latin
Chemical - O crescimento está mais baseado
em exportações. E o mercado interno?
Medrano
-
Nós temos um mercado interno de quase 190 milhões
de habitantes para o qual precisamos dar atenção.
Outra questão que teremos de corrigir é
que, hoje, a exportação, com muita justiça,
é desonerada de impostos, porque nenhum país
exporta impostos. Mas, por outro lado, o mercado interno,
que já vem sofrendo uma situação
de estagnação ou redução,
acaba sendo onerado com uma carga tributária
muito grande. É preciso desonerar o mercado
interno para que ele possa reagir.
Latin
Chemical - Quais as palestras de destaque para o Ebdquim?
Medrano
-
Além do painel entre produtores e distribuidores,
vamos discutir a questão do uso correto dos
solventes no ambiente de trabalho, a proteção
do trabalhador. Estamos cada vez mais estreitando
o diálogo entre o setor privado e as autoridades
governamentais no que se refere à legislação
sobre a nossa matéria. Estamos trazendo também
o sócio da empresa suíça DistriConsult,
Marc Fermont, que hoje é considerado um dos
grandes experts em estratégias de distribuição
de produtos químicos e petroquímicos,
que nos contará algumas experiências
e o seu ponto-de-vista sobre o que está mudando
na distribuição em termos mundiais,
que serão muito importantes para nós
e para que se defina como deve caminhar o Brasil nesse
sentido. Temos também a questão da credibilidade
do Prodir, que é feito por uma entidade independente,
e traremos representantes de outros países
que estão atuando nessa área. Vamos
abordar ainda uma questão que esperamos nunca
venha a nos atingir, que é o terrorismo, mostrando
o que tem sido feito nos Estados Unidos e Europa em
torno da comercialização de produtos
químicos e de matérias-primas que possam
vir a ser utilizadas na confecção de
armas.
Latin
Chemical - O foco é discutir situações
que possam vir a acontecer?
Medrano
- Quando se vai para um evento desses é
preciso ter a mente aberta. Esse é um ponto
muito importante. O empresário tem que entender
que ele vai ter durante dois dias, num único
local, palestrantes nacionais e internacionais do
mais alto nível e, se ele fosse colher essas
informações uma a uma, seria preciso
dispor de muito mais tempo e dinheiro. E o Ebdquim
traz todo esse rol de palestrantes com as suas experiências
e seus conhecimentos. A função da Associquim
não é coercitiva, ela induz cada empresário
a tomar a decisão que melhor lhe cabe e, para
tanto, é preciso ter conhecimento dos problemas,
acertos e soluções, o que permite errar
o menos possível. É necessário
que o empresário de distribuição
se dispa de alguns dogmas do passado e venha a adotar
os novos paradigmas, estando aberto para o que está
acontecendo no mundo e sabendo para onde nós
temos que caminhar para evitar os erros do passado,
que levaram ao desaparecimento de muitas empresas.
Estamos deixando as tardes livres, não só
para contatos pessoais entre os distribuidores, mas
também para, no caso de dúvidas, estender
mais os assuntos com os palestrantes e trocar pontos
de vista. A intenção é tornar
o evento sempre o mais proveitoso possível.
Latin
Chemical - Essa conscientização melhorou
depois que os Ebdquims começaram a acontecer?
Medrano
-
Com certeza. Eu diria que, se eu tenho que atribuir
um mérito à Associquim e à sua
diretoria, é o de mudar a concepção,
esse modo de pensar do empresário do setor,
trazer novas idéias e uma abertura do diálogo
para mostrar que ele tem que se adaptar a uma série
de exigências e abrir a sua mente para poder
se tornar um empresário vitorioso. Dos fundadores
da Associquim, hoje nós só temos três
empresas operando, o que mostra que muita gente saiu
do setor. E eu não gostaria que isso ocorresse.
Nos Estados Unidos e Europa existem empresas com 150
anos de atividade. É importante que o setor
de distribuição se consolide, que se
aceite essas melhoras, que se faça um nivelamento
por cima e não pelas nossas deficiências.
Nesse ponto, o empresário evoluiu. O importante
é que esses eventos estão trazendo a
questão da sucessão das empresas. Não
é privilégio nosso, mas a distribuição,
mundialmente, é composta de empresas familiares,
em sua maioria.
Latin
Chemical - Esse assunto já vêm sendo
discutidos desde o evento anterior.
Medrano
-
Nós abrimos o diálogo e trocamos experiências.
Eu até pediria aos empresários que levassem
os seus sucessores, pois é importante que eles
comecem a se preparar para amanhã assumir as
funções de direção das
suas empresas. Eu tenho recebido questionamentos sobre
o nosso evento diferir de outros, que são eminentemente
comerciais. O Ebdquim não é um evento
comercial e sim um evento de relacionamento, de troca
de experiência, de conhecimentos, e foi para
isso que ele foi criado, consolidando tudo aquilo
que a Associquim fez. Ele acontece a cada dois anos,
o que é uma tendência. Quanto ao local,
temos procurado fazer fora de São Paulo para
tirar o empresário do seu meio, pois se ele
está na sua cidade, ele não se desliga.
É importante que ele possa, ao sair de São
Paulo, concentrar-se ao máximo naquela finalidade.
E, também, estamos procurando fazer uma integração
da família, afinal de contas se as empresas
estão ligadas, nada mais importante do que
a participação da família.
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