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  Brasil, 4 de Fevereiro de 2012
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Edição 22 - Reportagem

 

Solução amigável

 
Refletindo o desaquecimento registrado na economia como um todo no Brasil, o segmento de solventes industriais registrou incremento semelhante ao PIB, ou seja, entre 2% e 3%. Um setor tradicionalmente grande consumidor – o de tintas – também amargou crescimento aquém do esperado, acompanhando esse resultado, mas outros, ainda que menos representativos, tiveram melhor desempenho, como é o caso de tratamento de superfície e cosmético e farmacêutico.
 
Cynthia Luz
 

Juros altos, taxa de câmbio em queda, escândalos na política, desastres naturais, alta nos preços do petróleo, falta de investimentos em infra-estrutura por parte do governo. Com um cenário como esse, o crescimento da economia no Brasil foi, como descrito por diversos empresários, pífio em 2005. E isso se refletiu no setor de solventes industriais, que deve fechar o ano com incremento de 2% a 3% sobre 2004, acompanhando o Produto Interno Bruto. Em 2006, esse cenário deve começar a mudar, em vista da previsão de queda nas taxas de juro, movimento que já foi iniciado, e da liberação das verbas por parte do governo, que tradicionalmente abre os cofres em ano eleitoral, injetando dinheiro novo na economia e incentivando principalmente o setor de serviços e de construção civil.

Por outro lado, produtores, formuladores e distribuidores de solventes têm sido solicitados a investir em desenvolvimento de produtos menos tóxicos com preços competitivos, cenário que deve perdurar por algum tempo, e em soluções feitas sob medida, que facilitem o trabalho dos clientes e reduzam custos. Isso faz com que o segmento seja obrigado a ser cada vez mais especializado em soluções e serviços, além de também trabalhar com margens mais apertadas.

Hugo Leonardi Gardelli, gerente de produto Solventes da Oxiteno, conta que as expectativas para 2005 eram de se obter crescimento entre 6% e 7%, mas deveremos fechar o ano com algo entre 2% e 3%. “Esse resultado reflete bem o comportamento do mercado de tintas e vernizes, que, excluindo o mercado de tinta automotiva, que teve um crescimento maior, entre 7% e 8%, deve fechar o ano também com crescimento parecido, isto é, entre 2% e 3%. Isso se deve a uma somatória de fatores, dentre os quais, juros ainda altos, falta de programa de incentivos e a não recuperação do poder aquisitivo do consumidor final.”

Fernando Luis Weber, engenheiro químico e gerente de vendas de solventes da Copesul, resume: “Observamos que a participação dos solventes hidrocarbônicos vem decrescendo significativamente nos últimos anos, fruto do desenvolvimento de formulações alternativas neste segmento. A substituição é gradual, tendo em vista as questões técnicas (formulações que atendem as necessidades dos diversos segmentos) e econômicas, de tal forma que os preços não sejam proibitivos aos consumidores finais.”

Já Marcos Aurélio Basso, gerente de Desenvolvimento de Produto e Mercado da Eastman, pondera que uma das principais matérias-primas geradoras da cadeia de solventes industriais é o petróleo e durante o ano de 2005 a indústria teve seu suprimento prejudicado, tanto por causa de conflitos externos quanto por conta das catástrofes naturais. “No entanto, com um sistema organizado para se prevenir destes percalços, a Eastman garantiu os suprimentos de solventes para seus clientes habituais. Acreditamos que 2005, apesar de ter sido um ano de crescimento na indústria como um todo, foi marcado pelo esforço dos colaboradores da Eastman para assegurar o fornecimento de produtos aos seus clientes em tempos de crise.”

Celso Luiz Tavares Ferreira, diretor da Unidade de Negócio Coatis América Latina da Rhodia, por sua vez, destaca a vantagem de pulverizar as áreas de atuação: “Conseguimos continuar evoluindo graças à nossa atuação em mercados diversificados, como automobilístico, tintas e vernizes e tintas de impressão, que nos permitirão alcançar crescimento de 6% nas vendas em 2005, comparado a 2004. Não será um ano excepcional como foi 2004, mas trará um bom resultado, apesar da situação difícil em alguns mercados-chave, como calçadista e moveleiro, que são fortemente exportadores e tiveram sua atividade extremamente prejudicada pela situação cambial.”

“Durante o ano de 2005 o mercado reagiu de forma bem conservadora em função dos grandes aumentos registrados para o petróleo e seus derivados e ao alto índice das taxas de juros com conseqüente redução do crédito disponível ao consumidor”, acrescenta Alberto Bittar, gerente de vendas Fluidos Brasil da ExxonMobil Química.

No segmento de distribuição, o comportamento das vendas não foi diferente: “O ano de 2005 trouxe recessão para todos os segmentos da indústria brasileira. O mercado de solventes sofreu fortes quedas no consumo, a inadimplência e o desemprego aumentaram, além de fatores externos, como importações e a própria valorização do real frente ao dólar. Atuamos em 28 segmentos e tivemos crescimentos expressivos somente nos mercados de cosméticos e farmacêuticos, onde nossa participação ainda é pequena. Ao contrário, no segmento de tintas e vernizes, onde a Best Química tem importante participação, acima de 45% das nossas vendas, houve redução na expectativa de crescimento do setor e estamos terminando o ano com números alinhados ao PIB, ou seja, em torno de 2,5 a 3 %”, revela Eduardo Barrella, diretor de negócios da Best Química.

“Os volumes deverão sofrer queda em relação ao ano anterior. Mercados como o de couros e calçados, agroquímicos e tintas e vernizes serão os principais responsáveis. A única exceção ficará por conta do mercado de tratamento de superfícies”, avalia Gutenberg Souza Oliveira, gerente comercial da Brenntag Química.

Victor Luis Maluf Amarilla, diretor comercial da Carbono Química, afirma que “o mercado de solventes não sofrerá nenhuma mudança substancial, pois essas terão de ser processadas por legislação ou por exigência dos maiores fabricantes do mercado. Os solventes hidrocarbônicos alifáticos terão um crescimento pequeno; os solventes hidrocarbônicos aromáticos não terão aumento de consumo; os solventes oxigenados terão um crescimento maior devido à substituição de produtos com nível de toxicidade maior; e os demais solventes, como os clorados, nitrogenados, fluorados e outros, terão uma pequena diminuição, por problemas de higiene do trabalho. Enfim, teremos um pequeno crescimento do setor em relação a 2004. O que nos ocorre é que algumas aplicações terão desenvolvimento acelerado, como por exemplo a aplicação de produtos para agrodefensivos. O intuito será oferecer produtos com menor grau de fitotoxicidade e menor toxicidade na formulação e na aplicação, bem como produtos com melhor nível de biodegradabilidade”.

De seu lado, Carlos Fernando de Abreu, diretor comercial da Bandeirante Química, lembra que “em 2005 o mercado de solventes industriais apresentou grande redução por influência do mau uso de solventes alifáticos e aromáticos, permitindo assim que as características diferenciais se apresentassem em maior evidência que o preço. A evolução natural dos processos nas áreas metalúrgica, eletroeletrônica, de embalagens, tintas gráficas, entre outras, tem criado uma demanda crescente para solventes industriais, sobretudo com características amigáveis ao ambiente”.

E João Miguel Thomé Chamma, gerente nacional de negócios da Ipiranga Química, adiciona: “A indústria brasileira, sofisticada e complexa, tem hoje demanda para solventes industriais básicos, como hidrocarbonetos e oxigenados, solventes ecológicos (hidrocarbonetos alifáticos com baixa cor, odor e conteúdo de aromáticos), e também inicia demanda pelas especialidades em solventes oxigenados. Por outro lado, as especificações técnicas de solventes hidrocarbonetos alifáticos, por exemplo, tendem a ser cada vez mais rígidas, seguindo legislação de médio prazo já estabelecida. A oferta de produtos em 2005 foi alta, o que possibilitou à indústria adquirir produtos com custos mais baixos, uma vez que o crescimento industrial foi abaixo da expectativa que havia inicialmente para o ano.”

Perspectivas

Para 2006, as expectativas são de reaquecimento do mercado, seguindo o ritmo do mercado embalado por ano de eleição. “A Oxiteno estima para 2006 um crescimento maior do mercado de solventes industriais em relação ao ano 2005, apostando principalmente em uma recuperação do setor de tintas. A perspectiva de queda de juros, os anúncios de investimentos da indústria em geral e por ser um ano eleitoral são fatores que pesam a favor. Mundialmente, a Oxiteno estima um crescimento entre 3% e 4 % do mercado de solventes em 2006”, reitera Gardelli.

Basso, por sua vez, analisa o mercado latino-americano: “Nesse mercado existem dois segmentos, o de commodities e o de especialidades. A Eastman atua nesses dois com foco para o de especialidades na América do Sul. Nesse caso, acreditamos em um franco crescimento para 2006. O próximo ano será marcado por importantes eleições presidenciais na região. Esse é um fator a ser considerado nas perspectivas. Mas, mesmo diante desse panorama, acreditamos na continuidade do crescimento na América Latina.”

Na Rhodia, Ferreira acentua: “Acreditamos nas oportunidades que estamos desenvolvendo em novos nichos de mercado e no crescimento mais forte de nossos tradicionais mercados o que nos leva a projetar um crescimento 2% acima do PIB para o mercado interno em 2006. É preciso lembrar que o mercado brasileiro tem diversos segmentos que dependem muito da exportação e vêm sofrendo com o situação do câmbio, o que dificulta, portanto, previsões mais acuradas. Para o mercado mundial estamos prevendo um crescimento de 5% no consumo de solventes oxigenados, e deveremos continuar atuando de forma agressiva em linha com o período 2004/5, quando dobramos nossas exportações.Com os investimentos que realizamos nesse período para ganhar competitividade e capacidade de produção, teremos condições de continuar crescendo no mercado mundial, apesar da valorização excessiva do real. Temos a liderança do mercado latino-americano de solventes oxigenados e pretendemos continuar crescendo por meio da atuação coordenada com nossos escritórios regionais localizados em todos os países da região. As perspectivas da região são extremamente atraentes, pois ela tem registrado crescimento econômico acima da média mundial, e, portanto, gerando boas oportunidades de novos negócios. Há um grande potencial a ser desenvolvido e explorado na região.”

Para Bittar, as perspectivas para 2006 são as mais otimistas possíveis, visto que há mercados promissores ainda utilizando solventes pouco nobres devido à falta de normas que regulamentem o uso de solventes e estão em fase migração para fluidos diferenciados. "Já no mercado mundial, em função do avançado estágio das leis que regulamentam as emissões de produtos orgânicos, conteúdo de compostos duvidosos nos solventes que podem atingir o homem e o ambiente, estamos vendendo uma grande quantidade de produtos adequados a tais legislações e que são o foco dos nossos negócios na linha de fluidos." Já em relação à América Latina, continua: "Hoje podemos dizer que a ExxonMobil Chemicals é uma das únicas empresas na área de fluidos com presença em toda a América Latina e com escritórios de vendas em vários países. A empresa possui refinarias na Nicarágua e Argentina com produção de solventes e uma fábrica de fluidos especiais no Brasil. As perspectivas são as melhores possíveis e existem planos para crescimento em todas as regiões."

Oliveira, que ressalta que os focos dos atuais investimentos da Brenntag na América Latina são Brasil e México, avalia: "Com a moeda nacional valorizada, as exportações do segmento calçadista continuarão comprometidas e é essa a nossa perspectiva. O mercado de tintas e vernizes pode ter demanda maior, em vista da maior quantidade de crédito disponível para a construção civil, particularmente em um ano eleitoral. O mercado agroquímico é uma incógnita e o mercado de tratamento de superfícies deve manter crescimento acima da média.
Maluf, de seu lado, lembra que no mundo inteiro o processo de susbstituição de tolueno em muitas aplicações é um processo irreversível, bem como de produtos clorados. "As novas tecnologias em tintas, como tintas cura UV, tintas em pó, altos sólidos, têm deslocado o crescimento maior desses produtos em detrimento do crescimento do consumo de produtos base solvente. As novas tecnologias em agrodefensivos diminuem drasticamente o crescimento do consumo de solventes nesse segmento de mercado, bem como as novas tecnologias em adesivos, como os produtos base água e hot melt, diminuem muito o consumo de adesivos de contato base solvente. O crescimento será pequeno e vegetativo conforme o crescimento de cada mercado no comércio mundial."

Para ele, "a América Latina exige que as empresas ofereçam facilidades técnicas, logísticas e financeiras, aliando fornecimento contínuo a um pacote de produtos que facilite o número de operações de aquisição, bem como a garantia de fornecimento contínuo.O mercado latino-americano tem níveis de exigência semelhantes ao brasileiro e as tendências são as mesmas do Brasil.A utilização de solventes provavelmente também terá as mesmas tendências do mercado brasileiro".

Para Hélio José Cury, presidente, Ana Maria Machado Virginelli, diretora comercial, Saulo de Souza e Silva, diretor operacional, e Eduardo Barrella, diretor de negócios,todos da da Best Química, "o mercado interno deverá ter crescimento moderado, apesar de 2006 ser ano de eleições, quando a economia sempre aquece e gera empregos, principalmente no setor de serviços. Deve haver um incentivo à industrialização do Brasil, com a retomada de investimentos estrangeiros e crescimento da economia em torno de 3% a 5%. No setor de solventes, tudo dependerá de como as refinarias (Petrobras e centrais petroquímicas) administrarão os seus preços em função da provável estabilização do preço do barril de petróleo ao redor de US$ 50. A política de preços da indústria química é decorrência da anterior". A mesma equipe reforça: "As decisões sobre a taxa de juros, política cambial e as linhas de financiamento para a indústria, comércio, agricultura e crédito pessoal também terão importante papel no crescimento do País. Precisamos afastar o 'capital especulativo' e incentivar o 'capital voltado à produção'. Os resultados e ações na área política, tais como finalização das CPIs, acertos entre partidos para a escolha de candidatos à Presidência da República, Senado, Congresso e governos estaduais também irão interferir nos rumos da economia e da credibilidade do Brasil frente ao seu povo e a outras nações."

Além disso, os executivos da Best alertam: "Em nível mundial teremos mudanças importantes. Devemos estar atentos à política externa e ao endividamento dos Estados Unidos, ao comportamento da China, às novas refinarias do Oriente Médio - cujas obras serão finalizadas no final do segundo semestre de 2006 - e ao tom que se dará às atividades conjuntas do Mercosul frente à Alca (Área de Livre Comércio das Américas) e aos países ricos (G-8). Em relação à América Latina, acreditamos na força e na 'aparelhagem' (natural, física, intelectual e criativa) do Brasil. Precisamos de novas lideranças, carismáticas, com vontade de trabalhar e de transformar nossa nação a ponto de nos tornarmos líderes regionais, de fato. Vamos continuar importando insumos que não existem no Brasil e incrementar nossas exportações, principalmente para os países vizinhos."

Ressaltando que a Ipiranga Química possui hoje atuação somente no mercado interno brasileiro, trazendo seus produtos de vários fabricantes mundiais, Chamma prevê: "O ano de 2006 mostra-se como um ano de crescimento ligeiramente superior a 2005 para a indústria brasileira, o que ainda não é o nível de crescimento necessário para acompanhar o crescimento mundial. Teremos ainda crescimentos importantes nos países industrializados da Ásia, e também nos EUA. Em termos de oferta/demanda de solventes industriais, vemos um ano de estabilidade, o que deve também se traduzir em estabilidade de preços. A elevação de preços de solventes ocorrida em setembro/outubro de 2005 (efeito Katrina) foi eliminada, com os patamares de preços no mercado interno brasileiro já retornando aos níveis anteriores."

Já a Oxiteno estima para 2006 um crescimento maior do mercado de solventes industriais em relação ao ano 2005, apostando principalmente em uma recuperação do setor de tintas. "A perspectiva de queda de juros, os anúncios de investimentos da indústria em geral e o fato de ser um ano eleitoral são fatores que pesam a favor. Mundialmente, a Oxiteno estima um crescimento entre 3% e 4 % do mercado de solventes em 2006", diz Gardelli.

Por fim, Roberto Rossit, gerente de vendas da Elekeiroz, lembra que a empresa é a “única fabricante no Brasil de isobutanol e Nbutanol. Atuamos no mercado de solventes oxigenados, no qual o crescimento acompanhou o mercado de tintas. A perspectiva para 2006 é de crescimento ao redor de 4% no mercado interno se o mercado de tintas acompanhar as estimativas oficiais de crescimento do PIB.”

Tendências

Como já foi citado, o mercado caminha para o desenvolvimento de solventes mais amigáveis ao ambiente e, principalmente, para a oferta de soluções apropriadas a cada cliente e aplicação. “Esse mercado está em evolução para materiais mais amigáveis ao ambiente e menos tóxicos ao ser humano. A perspectiva é de evolução de quantidades e o mercado mundial evolui da mesma maneira. A Clariant está presente em todos os países da América Latina e atua conforme a cultura e necessidades locais. Existe uma demanda para tecnologias mais avançadas usando materiais mais "limpos". A Clariant atua exatamente em novos nichos de mercado com o seu sortimento de solventes especiais chamados Glymes, que são dimetil éteres de etileno e propileno glicol. O nome Glymes vem de Glycol Methyl Ethers”, afirmam José Müller Ribeiro e Márcio Souza, vendedores técnicos da Divisão FUN, da Clariant.

Eles ainda recordam como tendências “o uso de solventes mais versáteis, não tóxicos, em substituição aos solventes habituais e a possibilidade de uso de solventes não inflamáveis em operações industriais, onde temperaturas mais altas são requeridas aumentando a eficiência e a segurança dos processos. A tendência desse mercado é a expansão, pois cada vez mais a indústria quer aplicar materiais que não são nocivos ao ser humano e ao ambiente”.

Abreu considera: “O protocolo de Quioto, a conta de carbono, os controles de emissão são alguns dos desafios e balizadores para o futuro dos solventes industriais. As aplicações de solventes industriais são de domínio público há muitos anos e o que se precisa fazer é adequar as especificações para atender as melhorias necessárias. Novas necessidades tendem a ser atendidas por sistemas base água. Vejo ainda forte tendência para substituição do etil glicol e do acetato de etil glicol.”

Para Gardelli, “o mercado de solventes é bastante dinâmico, o que permite uma atuação focada na valorização de sucedâneos mais competitivos e performantes. A empresa conta com uma equipe de pesquisadores especializados que, em seus modernos laboratórios, conduz um processo contínuo de pesquisa e desenvolvimento para oferecer ao mercado as melhores soluções com produtos específicos para cada aplicação. Do ponto de vista de produtos, o mercado continuará a ser fortemente movido por inovações tecnológicas. A estabilização dos princípios econômicos e a queda dos juros são fatores que estimularão o crescimento da base econômica, com conseqüente reflexo no consumo de solventes no mercado em geral”.

Chamma recorda: “A indústria brasileira já demanda tipos especiais de solventes, e/ou solventes com especificações mais diferenciadas. O alto preço desses produtos ainda é uma barreira para o aumento da demanda, mas aplicações específicas já se mostram viáveis economicamente. Podemos citar a legislação estabelecida para 2007 em relação às especificações técnicas em solventes hidrocarbonetos alifáticos. Ela trará produtos competitivos tecnicamente, com produtores globalizados e em condições comerciais adequadas ao grande mercado consumidor dessa linha de produtos. A utilização de solventes industriais continua em crescimento e acreditamos que essa demanda aumentará. Algumas linhas superam o crescimento da indústria, como alguns oxigenados e ecológicos. Outras seguem o crescimento da indústria, como hidrocarbonetos alifáticos. Um terceiro grupo de linhas terá aumento de consumo inferior ao crescimento da indústria.”

Bittar reforça: “As principais inovações no setor referem-se à preocupação em atender regulamentações locais e internacionais relacionadas ao ambiente, normas trabalhistas e limites de toxicidade que possuem impacto direto em usuários e trabalhadores que estão em contato com solventes na indústria. Sendo assim, existir comprometimento quanto a limites de teor de benzeno, por exemplo, é um diferencial. Acreditamos que o mercado de solventes continuará a ter uma grande importância para a indústria, pois a água que atualmente vem sendo utilizada em várias formulações estará destinada a usos mais nobres, isto é, consumo humano.”

“O chamado nicho é algo dinâmico, se adapta às novas necessidades à margem das grandes tendências. Sendo assim, novos nichos nascem a cada dia. Para se ter sucesso nesse segmento, o profundo conhecimento de mercados específicos faz-se necessário”, analisa Basso, que aponta como inovações no setor os solventes para formulações base água e alto-sólidos.

A Brenntag crê que as soluções customizadas de solventes são uma tendência nos mercados atualmente atendidos, conta Oliveira, citando como inovações os solventes “environmental friendly”, ou seja, amigos do ambiente, que devem aumentar sua participação no mercado ao longo do tempo.

Maluf ressalta alguns nichos de mercado a serem trabalhados: “Nos mercados agrícola os solventes biodegradáveis e menos fitotóxicos, os sistema solvente, os desidratadores de álcool em substituição ao ciclohexano são alguns dos mercados que terão desenvolvimento no curto, médio e longo prazos. Com certeza a inserção dos carbonatos orgânicos em desplacantes, produtos agrícolas e outras aplicações são a maior inovação em relação aos solventes industriais. Representam o que há de mais modernos em produtos para desenvolvimento sustentado.”

E Ferreira antecipa: “As perspectivas são extremamente promissoras, seja pelo contínuo crescimento dos solventes oxigenados em substituição a outras categorias de solventes mais agressivos, seja pelo desenvolvimento de novos produtos, mercados e aplicações em andamento. Trabalhamos com uma perspectiva muito interessante de crescimento de 4% ao ano em base mundial e de 6% ao ano em regiões em desenvolvimento, como Ásia e América Latina, o que nos coloca com boa vantagem competitiva para aproveitar as oportunidades que certamente surgirão em breve. Estamos desenvolvendo novas aplicações do nosso portfólio de produtos para os mercados agro, home care e personal care.”

Sob medida

Para fazer frente à competitividade do mercado, as empresas estão investindo em soluções sob medida aos clientes. Com isso, os sistemas solvente já vão para os clientes formulados e na quantidade certa para a sua necessidade. “A Oxiteno é uma empresa preocupada em entender e satisfazer as necessidades dos seus clientes, visando encontrar alternativas personalizadas para que eles possam enfrentar desafios e tenham garantida sua produtividade e rentabilidade. Nesse sentido, mantemos um corpo técnico e comercial especializado e laboratórios equipados para suportar os atuais desenvolvimentos do mercado. Em 2006, a Oxiteno investirá na reforma e ampliação de seus laboratórios de aplicação para garantir a excelência no atendimento de seus clientes. Nossas futuras expansões de capacidade e nossos futuros desenvolvimentos de novos produtos estarão em linha com o crescimento do mercado, assegurando o compromisso com a evolução dos negócios de nossos clientes, o que permite a manutenção da Oxiteno na posição de um dos líderes no fornecimento de solventes oxigenados”, defende Gardelli.

Chamma esclarece: “A Ipiranga Química, por intermédio do Centro de Distribuição de Guarulhos, desenvolveu importante habilidade de oferecer soluções às diversas demandas de diferentes mercados industriais. Isso requer capacidade instalada e capacitação técnica, o que a Ipiranga Química pode oferecer por meio de sua unidade de formulações e seus laboratórios de aplicação técnica de produtos.” E continua: “Como distribuidora de matérias-primas para a indústria, a Ipiranga Química está sempre buscando produtos adequados à demanda e à tendência de tecnologia industrial. Estamos constantemente investindo em ampliação de nosso portfólio de produtos, bem como em nossos laboratórios de aplicação técnica, desenvolvendo nossa capacidade de atendimento ao cliente com os novos produtos. Isso também é válido para solventes industriais, onde temos constantemente oferecido ao mercado novos produtos, sejam eles individualizados ou em formulações adequadas às diversas aplicações.”

“Acredito que o desenvolvimento de soluções especiais seja uma tendência para os pequenos consumidores que têm maior dificuldade no manuseio”, declara Rossit, avisando que a Elekeiroz estará ofertando ao mercado volumes maiores de toda a linha de álcoois a partir de 2008.

“É importante ressaltar que ao longo da história da Eastman muitos produtos foram desenvolvidos como uma resposta a uma necessidade específica. Podemos novamente citar um exemplo de procedimento da companhia: a linha de completa de ésteres de celulose, que a Eastman disponibiliza para seus clientes ao redor do mundo. Além disso, a Eastman está sempre pronta para adequar sua produção à tendência da demanda global. Isso já foi realizado várias vezes nos últimos anos e continuaremos a fazê-lo. Podemos citar como exemplo a construção de uma nova unidade de texanol na Ásia”, pondera Basso.

Weber, por seu lado, explica que “dentro de sua linha de atuação, solventes hidrocarbônicos, a Copesul mantém uma postura proativa quanto às tendências de mercado e de atendimento às necessidades dos clientes, avaliando ainda novas oportunidades de negócios”.

“A Clariant sempre busca a satisfação do cliente, oferecendo serviços personalizados, que atendam as necessidades e exigências do mercado. Atualmente, os solventes são produzidos na Alemanha, onde a Clariant tem uma grande fábrica de derivados de eteno. De acordo com a demanda, a Clariant poderia vir a produzi-los também na América Latina”, avisam Ribeiro e Souza.

Oliveira revela que “está em funcionamento, desde setembro, um laboratório de aplicação técnica (TLA) voltado primariamente para o mercado de tintas e vernizes. Esse laboratório, no entanto, está capacitado a desenvolver formulações customizadas de solventes para atender não só o mercado de tintas e vernizes, mas também aos outros mercados consumidores de solventes. Esse laboratório, um serviço único no mercado de distribuição e que servirá como uma ótima ferramenta de apoio aos pequenos e médios clientes, que são o foco principal da distribuição, vem ao encontro de uma tendência já há muito detectada pela nossa empresa: a de que a distribuição de químicos será não somente uma prestadora de serviços logísticos, mas também uma provedora de soluções completas aos mercados em que atua”.

“De fato, para o mercado de solventes industriais, a grande tendência são as soluções a la carte, nas quais a Bandeirante Química é pioneira e vem buscando ouvir cada vez mais nossos clientes. A empresa está investindo o melhor de seu capital humano em projetos voltados para o mercado de solventes industriais”, analisa Abreu, complementando: “A Bandeirante possui uma instalação muito moderna e capacitada para atender demandas da América Latina, o que já vem acontecendo de forma cautelosa . Atuamos com todas as famílias de solventes, assim como as misturas específicas para tintas gráficas, embalagens, montadoras, plásticos, metalúrgicas, eletroeletrônicos etc”.

”A tendência é a de agregar serviços a todos os produtos vendidos, como soluções técnicas adequadas ao tamanho, capacidade financeira e ao mercado de cada cliente. Esse é o papel do distribuidor, transferindo tecnologia, crédito, logística e estoques adequados ao cliente”, pontua Maluf. Ele lembra que a Carbono tem desenvolvido produtos e aplicações com “produtos que minimizam custos e/ou diminuem riscos de manuseio na fabricação e nos produtos finais, agregando soluções que facilitem, ou melhor, venham ao encontro das expectativas dos clientes. O investimento a ser feito será o de desenvolver produtos e aplicações, com investimento em técnicos e laboratórios visando facilitar o acesso do cliente a tudo o que podemos disponibilizar aos nossos clientes. Esse é o nosso papel: o de "produzir soluções”.

“Temos um laboratório no centro de pesquisas de Paulínia destinado ao desenvovimento de soluções taylor made aos nossos clientes. Esse laboratório tem equipamentos e um software que permitem simular as propriedades de solvência requeridas pelos clientes e desenvolver a formulação otimizada em termos de custo e ambiente. Em 2005, investimos em torno de 7 milhões de euros nas nossas unidades, visando aumentos de capacidade e produtividade, para atender a demanda de crescimento dos mercados que atendemos e reforçar ainda mais a nossa competitividade, além de melhorias de segurança e ambiente, completando um ambicioso planejamento de investimentos de 25 milhões de euros nos últimos cinco anos. Como conseqüência, aumentamos nossa capacidade produtiva em aproximadamente em 54 mil toneladas anuais (20% a mais), atingindo a marca de 350 mil toneladas por ano de produtos. Para 2006 deveremos continuar pelo menos com o mesmo ritmo de investimentos”, avisa Ferreira.

Já a equipe da Best Química recorda: “Há muito tempo, nestes quase 15 anos de existência, falamos em 'soluções especiais'. Também houve um tempo em que falávamos muito em 'melhor opção'. Os jargões se repetem e se misturam num mesmo mercado. A Best Química, desde a mudança para a sede própria - em janeiro de 2003 - insistiu muito no tema de ser a 'solução em distribuição e logística', tanto para clientes como para fornecedores. Temos um trade name denominado Best Solv, cuja definição operacional é muito mais simples do que a magnitude do produto e serviço oferecido. Trata-se de 'soluções inteligentes com misturas de solventes, especialmente desenvolvidas segundo as necessidades técnicas de cada cliente'. Este serviço, associado ao produto final, evita uma série de transtornos e requisitos de legislações vigentes para o cliente final, reduzindo os seus custos e aumentando a sua satisfação.”

A solução especial para casa cliente é vista pela ExxonMobil Química não como o desenvolvimento de um produto único, "mas sim como um estudo técnico do problema e a apresentação da solução mais adequada para superá-lo, pois produtos únicos normalmente são mais caros, e com o passar do tempo o seu uso torna o cliente menos competitivo no mercado. Com o objetivo de atender as expectativas de soluções para o mercado, a ExxonMobil Química possui uma equipe altamente treinada e capacitada para apresentar as mais variadas soluções e produtos, sempre levando em conta o custo-benefício para o usuário. Também possuímos um network internacional que nos possibilita encontrar a solução num prazo de tempo bem curto, além do suporte de nossos laboratórios nos Estados Unidos e Europa. A ExxonMobil tem como core business o mercado de solventes, portanto toda a atenção está voltada para tal negócio, que tem demonstrado uma excelente performance em todo mundo”, conclui Bittar.

 
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